segunda-feira, 21 de maio de 2012

E no final, a arte entrou...


Lembro que na primeira aula de circo que eu fui, eu só queria conhecer o lugar pelo qual meu amor estava sempre tão empolgado. Experimentei uma aula, gostei e como precisava fazer alguma atividade, optei tentar. Mudei meus horários e de tudo fiz para fazer qualquer “coisinha” lá, sem grandes expectativas.

No começo, com medo, sem jeito para atividades físicas, optei por ir pelo que achava mais fácil. Peguei duas “bolinhas” e comecei a jogar para cima. Mal sabia eu, que fazer malabares doía e era muito mais difícil do que parecia. Cai bolinha, pega bolinha, joga bolinha, cai bolinha e assim ia. Mas tudo que eu olhava ao meu redor, me encantava. Os saltos que pareciam impossíveis, aquele tecido pendurado, as acrobacias... Só que eu não seria louco de fazer aquilo. Era tudo lindo, porém, “eu num tenho força”, “num tenho coragem”, “eu nunca vou fazer nada disso”... Eu pensava.

Até o dia em que eu percebi que eu tinha vontade e essa era o combustível necessário para qualquer início. E então comecei a me permitir. Decidi então experimentar um pouco do solo e eu, que nem cambalhota dava, comecei a treinar rolamentos, dei meus saltos tortos, fui forçado na flexibilidade, senti as dores e ainda tinha que pular e contar ao mesmo tempo... Só que eu continuava encantado por tudo que acontecia lá em cima.

Então, um dia, eu pedi para aquela argentina “posso tentar?” e ela abriu aquele sorriso e com todo seu sotaque disse “Claro!”. Peguei minha vontade, coloquei a lonja e puxei toda a força que podia ter no momento. Fiz o anjo e com ele senti toda a magia que aquilo trazia, me senti preenchido... A partir daí, a vontade trouxe a coragem... E entre trapézio e tecido, subi, fiquei pendurado, me queimei, gritei, concentrei, soltei, fiz as quedas, cai, senti dores, alegrias, superação e, por mais cansado que me sentisse, eu me sentia renovado.

Mas chegaram e nos disseram que o circo havia acabado... Sem chão, a dor da notícia era pior que de qualquer alongamento. Porém, se aprendemos algo no circo, é que não podemos desistir... O que é o fim, senão sempre um novo começo? Ontem, pudemos perceber em cada apresentação, cada movimento, em cada música, cada erro e acerto... a cada segundo percebíamos que o circo continuaria e continuará. Seja na lembrança dos momentos passados, na foto tirada, no vídeo gravado... Seja num novo projeto, numa nova aventura, num novo espaço.

O circo pode parar, mas isso não nos tira os amigos que continuam conosco. Aliás, nenhuma lição foi maior do que as aprendidas com as diferenças de cada um. Treinei a paciência, testei a resistência, redescobri minha determinação, encontrei minha superação... Corri riscos, descobri coragem, o valor do simples, do modesto, do enxergar, do ajudar... Da força que dá professor que não desiste de você, do amigo que vibra junto, que ensina, aprende... Compartilha.

Podem nos tirar a lona, os aparelhos, os instrumentos... Podem desligar nossa música... Quebrar nossas estruturas... Mas quem pode tirar nosso coração? Ninguém! E com ele seguimos erguendo novos pilares, cantando a música que parou (crrrryyyyyyyyyy BABY), instrumentalizando nosso corpo, transformando árvore em trapézio e cortina em tecido se for preciso... E a lona é nossa amizade. A lona é nossa vontade, nosso desejo, nossa busca, coragem, nossa determinação. Esse momento pode ser de incerteza, de medo, de luto... Mas quem continuar a buscar, encontrará. E quem realmente se entregou já encontrou algo que faz qualquer coisa valer a pena.

Até ontem eu pouco acreditava em mim, sabia que eu estava melhor do que entrei... Era isso, fim. Mas depois de ouvir professores me dizendo que eu não deveria desistir. Isso não tem dinheiro que pague. Ouvir, de Elsa Wolf, o que eu ouvi... Não há tesouro que valha mais. Hoje me sinto mais forte, apesar da dor, pois sei que meu corpo tem novas extensões... Obrigado aos professores que não desistiram de mim... Obrigado amigos que compartilharam desse breve começo comigo.

Espero encontrá-los em breve... Espero que possamos emocionar nossos primeiros mestres ainda mais, em novos espetáculos, em novos picadeiros.

Eu confio em vocês, vocês confiam em mim.

Merda procêis!!!  

2 comentários:

  1. Alunos pessoas como vc...que fazem valer a pena ser professora...se vc ficou feliz...imagina eu...vc e uma continuação de mim,de minha insegurança,temores,medos,realizações,alegrias,
    orgulho,aplausos e por tudo isso...muito obrigada
    Elsa

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