Quem foi que disse que eu sou só metade?
Faz algum tempo que
percebemos uma mudança nas relações humanas. Embora, ainda hoje, é comum
ouvirmos expressões do tipo “encontrar a tampa da minha panela”, ou “a metade
da minha laranja”. Acho bonito e interessante essa busca pelo que completa ou a
importância dada para as outras pessoas em nossa vida. E eu super concordo que
ninguém viver em total solidão... As outras pessoas dão um sentido especial aos
nossos dias. Nada mais gostoso que compartilhar vitórias, alegrias e, até
mesmo, decepções. Entretanto, tenho que dizer que essa idéia de buscar no outro
aquilo que falta na gente é um tanto quanto perigoso.
Para começar, quem
disse que falta alguma coisa? E se faltar, quem disse que está no outro? E para
completar, quem falou que o outro nos daria o que nos falta, caso ele tivesse?
rsrsrs... a verdade é que eu não sou só metade para procurar ser inteiro.
Ninguém é... Nós só não sabemos como achar todos os lados. É difícil enxergar
tudo o que temos e, mais ainda, tudo que somos.
Buscar lá fora o que
deveríamos buscar em nós gera uma ansiedade desnecessária e acaba colocando
muito da nossa vida no sentido do “ter”. Não somos donos de ninguém, e ao
colocar o outro como a metade que tenho, corro o risco de acabar perdendo
aquilo que encontrei nele. Não pense que estou dizendo que devemos ser alto
suficientes, de forma nenhuma. Quero dizer que devemos buscar melhorarmos em nós. As pessoas que estão
a nossa volta deveriam nos acompanhar na busca e não ser aquilo que nos
completa. Familiares, amigos, amores... Todos esses podem ser modelos, podem
ser companheiros, ser o ponto ou o contraponto para que sejamos mais... Mas de
forma alguma deveríamos colocá-los como aquilo que nos completa.
Sejamos laranjas
inteiras.
Devemos buscar entender
onde começamos e terminamos. Qual nossa forma, nosso sabor, nossa cor, aroma e
etc. No meio dessa busca estaremos em contato com outros muito parecidos
(laranjas); outros que parecem, mas não são (mexericas) e outros que são
extremamente diferentes, mas não menos saborosos... Quero ser uma laranja
inteira numa cesta de frutas incrível.
Desejo buscar descobrir
em mim o quão inteiro sou. Quais são minhas capacidades, habilidades,
minhas qualidades e também meus defeitos. E dentro disso descobrir como posso
ser mais doce, ou mais saboroso... Ter a noção que não adianta querer ser
laranja lima, se eu for laranja pêra. Sou o que sou. Por isso ganho ao
descobrir minha outra metade em mim mesmo, pois algumas coisas que o outro é,
eu jamais serei igual. E cada laranja será melhor para cada desejo. Podemos
juntos fazer um novo suco, ou uma nova semente. Mas inteiro... Inteiro eu sou
em mim e por esse motivo compartilho com quem amo aquilo que sou e dou ao mundo
um pouco do meu sabor.
Sejamos, então, frutas inteiras... para dessa forma podermos compartilhar
mais e, assim, ser feliz independente do que for.
Beijo!
