terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

E o Cinza Fica Mais Cinza

Todos os dias as autoridades discutem, conversam e decidem coisas que só descobrimos depois. Algumas decisões nos alegram, outras nos indignam, nos revoltam. Encerram o comércio ambulante, mas não reduzem os valores das mercadorias. O salário mínimo continua baixo, o transporte público encarece, nós continuamos pagando impostos, os salários dos políticos são exorbitantes, mas nosso sistema público continua inaceitável. Mas de todas as decisões tomadas nos últimos tempos, uma que considerei alarmante foi a decisão de que as doações para artistas de rua estão proibidas. Nosso amigo Kassab ainda tem tempo para pensar em coisas como essas? Oi? Mas como assim? Não sou eu quem decide no que usar meu dinheiro? Aparentemente, não!

Nos últimos meses os (quase sempre) anônimos e batalhadores artistas de rua estão proibidos de exercerem suas atividades caso aceitem receber doações em troca. Se eles quiserem continuar lá, sem aceitar doações, eles estão completamente livres para ir e vir, ficar e encantar, mas, não podem nem deixar algo no chão que dê ao público a ideia de “aceito doações”. A arte pela arte terá que bastar. Agora, alguém me responda: você já viu algum governador abrir mão de seu salário?

Na tentativa de justificarem o ato, explicaram que assaltantes estão usando essa arte como forma de distração. Seria, portanto, questão de segurança pública. Mega importante, concordo! Mas, se decidirmos proibir todas as expressões passíveis do roubo ou perigo, melhor terminar de vez com nosso direito de ir e vir. Sair na rua pode ser perigoso. Fechar parques seria outra opção, afinal, são locais perigosos, com árvores e becos. Podemos também impedir o comércio de carros: Quantos acidentes não ocorrem num dia? Impedir todo um grupo de profissionais por que alguns não são honestos não me parece a melhor solução. Tiremos todos os políticos do plenário, policiais das ruas, advogados, médicos, padres... ou seria errado afirmar que já tivemos problemas com todos esses profissionais também?

Outra questão levantada foi a necessidade de interromper tais atividades já que o comércio ambulante é atualmente proibido. Que comparação é essa? A rua é pública, o corpo é deles, não atrapalham a passagem, não pedem nada, só estão ali ofertando arte e esperando que alguém olhe e ache que valem uma moeda. O engraçado é que garotas de programa continuam nas ruas, cinemas pornôs até foram feitos para que não ficassem expostas, mas todas podem receber pelo uso de sua "arte". O que me parece é que os safados da noite têm direito de comprar prazer, enquanto que os passantes do dia não podem se encartar com a arte de rua.

A verdade é que as autoridades tentam de várias formas conter a crescente violência e criminalidade das ruas. Outras vezes só buscam novas formas de conseguir dinheiro.  E no meio disso tudo, acabam resolvendo problemas que eles consideram grandes, ao invés de resolverem aqueles que sempre voltamos a pedir. Não vêem a violência também vivida por esses artistas. Artistas que precisam enfrentar um público por vezes hostil, no meio do frio e da chuva, ou embaixo do sol do meio-dia. E o pior é que, no final, a violência continuará a subir, os hospitais não vão melhorar, as escolas continuarão como estão, e a única mudança será uma cidade CADA VEZ MAIS CINZA pois esses artistas que dão um colorido especial sairão das ruas provando sendo, dessa vez, o novo exemplo de como o artista é menosprezado no Brasil.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sobre o Carnaval e a "Piadatização" da Vida

Seguindo o padrão que eu busquei na minha primeira ideia de blog, eu venho trazer minha indignação em relação aos tristes fatos dessa tarde de carnaval. A falha humana de um lado, a falha técnica do outro. É triste ver o desrespeito das pessoas com o próximo. Pois ao lutar pelo que acreditam ser direito e honesto, algumas pessoas simplesmente ficam cegas e ignoram que não é apenas o indivíduo que está em jogo, mas o grupo e grupos. Além disso, a imagem clara da falta de organização e segurança pelo despreparo, ou da ingenuidade daqueles que deveriam imaginar e precaver possíveis erros. Em todo lugar onde temos mais de uma pessoa, o conflito é um risco existente. Quando juntamos pessoas e disputa, temos o risco como algo eminente.

Mas no meio disso tudo, o que mais me preocupa não são os ocorridos. Esses serão discutidos e rediscutidos, lembrados e relembrados e estarão na boca da mídia e nas páginas de sites, revistas e jornais de todo o Brasil por dias e dias. O povo vai falar. O que me preocupa é aquilo que eu tenho visto em diversos momentos e que poucos enxergam. O que me preocupa é o senso de crítica de alguns e o humor de outros. Preocupam-me aqueles que tiram de momentos como esse a possibilidade de ganhar "curti" e "compartilhar" no facebook. É o fazer graça de coisa séria ao invés de refletir sobre para onde estamos caminhando. Perdão aqueles que o fazem, mas eu não consigo entender como a morte de pessoas vira piada, crimes políticos acabam como fotos engraçadas e uma pedra jogada por um vândalo que não sabe respeitar a liberdade musical termina como mais um motivo de risadas entre aqueles que não conseguem perceber a seriedade das situações. Para onde estamos caminhando?

Vamos deixar de lado a festa e as piadas por um simples minuto. Vamos colocar a mão em nossa consciência e reavaliar se devemos “comediar” tais situações. Por vezes, não sorrimos ao dizer bom dia, mas rimos da desgraça alheia. Parece que preferimos fazer comédia da vida, ao invés de sentirmos os complexos sentimentos que temos. Rimos ao invés de chorar, criamos piadas para diminuir a  indignação, sorrimos para forjar a decepção.

Será que fazemos isso por nos dar mais prazer? Fazemos isso para fugir de nós mesmos? Por nos sentirmos paralisados? Será que tudo isso é válido? Será que é dessa maneira que chamaremos atenção das autoridades ou acabaremos virando os atuais bobos da corte? Algumas vezes tachamos como chatos aqueles que compartilham textos e críticas mas achamos graça da “piadatização” dos nossos direitos. E nessa, tiramos sarro da vida, entretemos o povo e as autoridades, conseguimos mais seguidores, mas o mundo, bem, esse continua como um poço de situações entristecedoras. Pense nisso!

O Novo Começo

Olá pessoas, quanta saudade de todos e do meu Blog. Demorei muito para escrever pois não andava inspirado. Estava querendo um grande texto, ou grande tema, mas não vinha. Porém hoje, graças ao carnaval,  percebi que grande são as ideias e pensamentos que cada um traz ao ler, ou escrever, do mais simples texto ao mais complexo dos versos. Nessa ordem mesmo, pois às vezes uma simples frase pode ser mais profunda que a mais bem formulada das crônicas.

Esse ano começou faz pouco mais de 50 dias e agora é a primeira vez que escrevo aqui. Como no final do ano, no meu texto de boas vindas ao 2012, venho reforçar a importância de fazermos desse um NOVO ano. Lembrando que isso sempre dependerá dos pequenos atos de cada pequeno grande indivíduo do nosso mundão. Que possamos buscar sempre Fascinação, não no sentido pejorativo da palavra, mas no sentido de ENCANTO. Para isso precisamos ter sempre em mente a importância do grão de areia. O pequeno grão que constrói o maior dos castelos. Preste atenção na magia e na essência que cada coisa traz e cada ser humano busca.

Sejam todos bem vindos ao ano de 2012 e aos meus novos pensamentos. Que esse seja o ano do fim... fim dos vícios, do fim das desculpas, do fim das discórdias... e que o aproveitemos como o ano do NOVO COMEÇO, das novas batalhas e, principalmente, das GRANDES CONQUISTAS.