terça-feira, 29 de novembro de 2011

Qual Fotografia Você Quer Ver Hoje?

É foto chocante para um lado. Palavras de solidariedade para o outro. É foto de animal maltratado. Tem foto de criança abandonada. Tem foto de gente pedindo esmola. E um monte de atrocidades retratadas em fotos, vídeos e etc... mas eu te pergunto: tem alguém ajudando?

Eu não ligaria de ver uma foto chocante. Se eu soubesse que a pessoa que está mostrando faz também sua parte. “Ah, mas divulgar também ajuda”! Ajuda, tanto quanto ver a pessoa pedindo esmola, olhar e pensar... que mundo cruel, que vida injusta.

Só mostrar não ajuda. Só olhar não adianta.

Outro dia, passando de ônibus por uma avenida, me choquei, ao perceber que havia um cara em uma cadeira de rodas parado no meio de outra avenida bastante movimentada. Diversos carros estavam de ambos os lados e os motoristas nem sequer abriram os vidros. Não sei se era um protesto, se era alguém pedindo ajuda, ou se apenas PRECISAVA de uma ajuda. Mas, ainda tem o pior: Eu entrei em choque. Com pensamentos mil, situações em jogo e tudo mais, eu não consegui decidir se descia do ônibus para tentar fazer minha parte, ou se seguia meu caminho. Depois, me senti fracassado em minha missão.

O que me parece, é que nos habituamos a assistir tudo pela TV e pela Internet e deixamos de participar da vida real. Não que devamos, ou possamos, vestir a roupa de super herói e sair por ai salvando Deus e o mundo. Mas perdão, colocar uma foto trágica no seu facebook não irá “provar que você defende os problemas sociais do nosso planeta”. Essa prova você dá quando busca fazer algo de diferente por esse ou aquele grupo, seja ofertando dinheiro, comida, roupas, ou – principalmente – ofertando parte do seu tempo.

Mas não pense que eu sou o senhor da razão. Eu não sou perfeito em minha busca, a situação acima citada comprova isso. O que eu quero é convidar você, que está lendo esse texto e está com seu FB aberto, a refletir também comigo sobre esse assunto.

Vamos deixar de assistir tragédia em foto.

Vamos mudar a fotografia!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Gato Bebe Leite, Rato Come Queijo...

Esse fim de semana, eu fui levado a assistir o filme "O Palhaço" de Selton Melo. Utilizo "fui levado", pois estava completamente cego em relação ao filme sem, nem ao menos, ter assistido ao trailer. Mas posso dizer, que obtive um grande presente. Presente, pois o filme nos oferece reflexão após reflexão. Reflexões das mais simples até as mais complexas. Complexas como a essência, simples como sua profissão. Quer dizer, tudo depende da sua complexidade e sua simplicidade. E tudo isso com a leveza e a beleza que só um circo nos poderia trazer.

Terminei depressivo, é lógico... rsrs. Pois, tudo aquilo que toca na nossa realidade nos faz pensar e repensar sobre a nossa própria vida. Mas, não me entenda errado. Minha vida não é depressiva, ela é muito boa. Mas, sempre tem algo para buscar - graças a Deus. Se não tivesse, qual seria a graça? O único problema é que essa minha busca me persegue faz um tempo, afinal de contas, "O gato bebe leite. O rato come queijo. E eu toco meu trabalho..." Foi nessa que eu fui pego. E essa frase resume a busca daquele palhaço por IDENTIDADE.

E sem Identidade, ele se pergunta logo no início do filme, ao segurar sua certidão de nascimento, "para que lhe servia aquilo?" Para que nascer se você não tem identidade, se não sabe o que quer, se não consegue se reconhecer? E a necessidade da Identidade o persegue pelo filme. E o ventilador, é claro. O ventilador como símbolo do sonho inatingível, longínquo e externo. O símbolo do desejo que está lá fora, enquanto ele está preso. O símbolo de liberdade. Liberdade de uma prisão criada por ele. Um ele que, embora fizesse os outros rirem, se considerava sem graça. E se ele fazia "os outros rirem, quem vai me fazer rir?" E com essas indagações, ele vai atrás de seu sonho. Atrás de sua Identidade. Do seu ventilador. Da vida que, segundo sua crença, estava fora de seu controle. Em figuras externas. Objetos de desejo. Locais. Pessoas...

Porém, ao sair e buscar, ele prova, vê, escuta e, ao entrar em contato com o resto, se redescobre. E no meio de uma loja de ventiladores, ele percebe que aquilo não o preenchia. No meio do seu “reino encantado”, ele continuava sem graça. E retorna. Com o símbolo embaixo do braço, para o mundo ao qual ele pertencia. Por fim, "O gato bebe leite. O rato come queijo. E eu... eu sou palhaço!"

Afinal, onde está nossa felicidade senão em nós mesmos? Onde buscar nossa essência senão dentro de nosso coração? Podemos ter símbolos, objetos de desejos, objetivos a alcançar, mas jamais estaremos completos com aquilo que está fora de nós somente. É preciso correr atrás de seus sonhos, buscar seus objetivos e descobrir suas necessidades. Mas, ao mesmo tempo, é importante sempre lembrar que seu reino encantado é o mundo onde vive, seu templo é seu corpo, sua essência está em sua mente e sua felicidade dentro de você... o externo é seu bem, mas o interno é seu bem MAIOR.

Seguimos, então, nossa busca e eu sigo a que mais me persegue... responder profissionalmente: "O gato bebe leite. O rato come queijo. E você?"