sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O último Mês, O último Texto

1 mês,  apenas um mês para completar mais um ano de vida. E um ano tão especial.

Muitas pessoas, principalmente os rapazes, aguardam ansiosamente os famosos 18 anos. Nossa, já faz um tempinho que o meu passou. Mas eu não estava nem ai para os 18 anos. Adolescente, pseudo-nerd, desinteressante e desinteressado, estima baixa... ou seja, 18 anos não me significava nada. Nem dirigir eu tinha vontade. Ainda nem tenho, pra ser honesto. Entretanto, aguardei os 27 anos ansiosamente. Não sabia o motivo, talvez nem saiba ainda. Queria que esse chegasse pois sentia que seria especial. Agora, faltando um mês para a folhinha da idade ser virada, eu me perguntei: O que já aconteceu que fez desse ano especial? O que ainda poderia acontecer para fazer deles os tão esperados 27 anos? O que farei aqui, será revelar parte da primeira pergunta nesse post.

Nesse 27º ano, eu entrei fundo nas descobertas. Me remodelei (seja em moda, seja em molde, em pensamentos ou crenças). Experimentei novos perfis. Fui do analista centrado e contido, controlado e pensativo... para o executor descontrolado, imediatista e decidido. Tive a ideia, busquei e fiz. Experimentei também novas atitudes, novas reflexões. Posso dizer que expandi. Busquei eliminar preconceitos, permitir ao outro ser quem é. Continuei velhos hábitos. Alguns amei, outros detestei. Levei sustos... e que sustos. Me apaixonei e desapaixonei. Me livrei de fantasmas, adquiri novos. Enfrentei demônios. Fiz amizades com outros. E, depois da amizade feita, descobri que nem demônios eram. Enxerguei, com isso, coisas não vistas antes. “Matei” uma figura que me atormentava. Assumi o que não queria. E, já que o verbo foi usado, hoje posso realmente dizer que tenho orgulho em ser sim ASSUMIDO. Sorri. Chorei. Errei. Acertei. Aceitei. Descobri. Aprendi. Aprendo. E tirei lições que levarei pra toda vida e compartilho agora, talvez uma ou outra possa também servir para algum de vocês.

1º Nem toda lição serve para todo mundo. Alguns verbos não fazem parte do vocabulário de algumas pessoas, portanto, nem toda lição condiz com todo aprendiz.

2º O não interesse do outro não me faz menos interessante. Assim como eu tenho gosto por doce ou salgado, todos têm. Eu gostar de salgado não faz do doce menos gostoso (aos paladares outrem). E, por vezes, eu mesmo quererei comer doce.

3º Uma atitude mais executora requer um bom controle financeiro. Fazer custa caro. Por esse motivo, a busca pela calibragem é sempre uma atitude positiva. Por vezes, preciso me permitir extravasar, mas devo também voltar ao eixo.

4º Não conheço a história do outro. Por esse motivo, a crítica ou o julgamento são injustos e, às vezes, até perigosos. Busco, mesmo que não seja fácil, sempre respeitar antes de qualquer coisa.

5º O outro tem sempre o direito ao sim ou ao não. Aceitar o convite ou negá-lo não me revela o quão importante sou. É meu direito sofrer, sempre será. Mas, não é dever do outro responder às minhas expectativas. O mesmo é correto de mim ao outro. Dentro da minha flexibilidade, devo saber que não disponho de todas as máscaras, por esse motivo, nem sempre poderei (ou deverei) atender todas as expectativas. 

6º Minhas decisões devem ser guiadas pelos meus valores e objetivos. Isso é assumir responsabilidade. E é digno ter a consciência que, até mesmo tomar a decisão por alguém, é escolha minha. Portanto, não posso culpar ninguém. E, mais que isso, me pergunto se o sentimento de culpa (até mesmo por mim) é válido.

7º Mostrar minhas fraquezas me faz muito mais interessante que me fazer de forte o tempo todo. Ser real é muito melhor que ser uma imagem criada. Eu, ao menos, não quero amigos personagens, quero amigos de carne e osso.

8º Por vezes, por mais que a intenção seja boa, algumas pessoas não querem, não precisam, não estão prontas para mudar. É meu dever entender que se me incomoda, talvez a necessidade de mudança esteja em mim.

9º Sempre posso dar espaço ao outro e abrir mão de algo. O altruísmo é uma bela atitude. Entretanto, o egoísmo é igualmente necessário para minha saúde mental, emocional e, até mesmo, física.

10º Sou uma excelente companhia para mim. E posso também ser para o outro. Por vezes quererei estar com outros, por outras precisarei/quererei estar sozinho. E posso aproveitar muito a mim mesmo.

Nesse ano reforcei amizades incríveis, retomei outras e adquiri novas que quero levar por muito tempo. Pessoas que me fazem sentir extremamente bem e, creio, que também ofereço o mesmo. Como é prazeroso compartilhar. Descobri como é bom estudar o que gosto. Finalmente dei um norte para a ideia de “o que quero ser quando crescer”. Tenho ainda muitos “detalhes” a trabalhar. Mas posso considerar que a famosa “maturidade” está por ai. Orgulho-me muito da pessoa que venho me tornando. Orgulho-me em poder dizer que não sou o mesmo, o que mostra que venho me desenvolvendo. Tenho orgulho em errar, em saber que não sou perfeito. Hoje sei o quão bom é não ser herói. É bom saber que não existem heróis. Sou "herói" de uns, "vilão" de outros. E essa posição pode se inverter ao longo da história. Certeza que até da minha mãe (amo mais que demais) já fui vilão. O importante é que sou humano. Imperfeito e peregrino do meu  próprio desenvolvimento. É... foi um bom (e ainda está sendo) 27º ano.

Por todos esses motivos e por tantas transformações, esse (até por eu estar sumido) será o último texto desse blog. Mas calma, para quem gosta, eu ainda continuarei a escrever. Mas num novo espaço, um espaço que esteja preparado para uma nova fase e que será iniciado no meu aniver... fica o convite a todos.

A segunda pergunta, reformulo e deixo também para vocês:

“O que você faria (ou desejaria) para que sua idade atual fosse marcada como um ano especial”?

terça-feira, 3 de junho de 2014

Sobre Mensagens, Mensageiros e Receptores

Há algum tempo atrás, muito tempo talvez, uma amiga que na época estudava psicologia me falou de uma teoria, ou afirmação de um professor – não me lembro bem, que dizia que nós nunca nos apaixonávamos por uma pessoa. Nos apaixonávamos por nós mesmos. Nos apaixonávamos pela representação que criávamos dentro de nossa cabeça, que não significava a verdade da pessoa. Lembro, que na época, aquilo me soou tão frio, tão triste. Hoje, já nem tanto.

Na verdade, acredito que todas as pessoas que nos são especiais, o são, pois nos ajudam a descobrir dentro de nós o que antes estava adormecido. Ninguém me dá amor, pois não é possível transferir sentimento de um ao outro. As pessoas me dão carinho, que é um ato... As pessoas me ajudam a descobrir o amor dentro de mim, assim como eu posso ser aquele que ajuda alguém a encontrar amor dentro de si. O mesmo pode acontecer com alegria, tristeza, coragem, determinação, saudade e assim por diante.

Quando amigos se separam, namoros terminam ou, até mesmo, quando somos demitidos, ficamos perdidos – muitas vezes – por acreditarmos que não mais receberemos as doses de sentimentos que tanto nos são valiosos e que essas pessoas ou processos nos "davam". Como se alguém fosse o dono do comprimido da felicidade e nos desse doses desse ao estarmos juntos. Não percebemos que o comprimido é nosso. Que essas pessoas somente nos ajudam a encontrar o comprimido.

Hoje, conversando com minha mãe, falando sobre algumas situações que estão me chateando, e algumas pessoas que estão relacionadas, minha mãe demonstrou no discurso acreditar que eu queria eliminar essas pessoas da minha vida, ou do meu coração. Eu jamais desejaria tirar alguém do meu coração. Por mais que alguém me decepcione, me machuque, me entristeça, eu carregarei essa pessoa comigo. Quem eu sou hoje é uma colcha de retalhos daqueles que compartilharam comigo parte de sua existência, e assim me fizeram pensar, refletir e descobrir em mim parte da minha verdade. Por modelo ou por oposição pessoas me ajudaram a fazer a minha história, e minha história é o que eu sou. Incluído nessa colcha retalhos bonitos, ou nem tanto.

É nesse ponto que eu concordo que quando amo alguém, amo a mim mesmo. Eu amo a forma única que elas fazem eu sentir isso ou aquilo. Eu amo a forma com que elas me ajudam a me perceber. Amigos que se foram, familiares que já partiram, amores que se transformaram... Todos esses são parte do que eu sou hoje e eu não tenho garantias de como seria minha vida se eles não tivessem passado por minha história, inclusive os que me machucaram. Essa "minha" amiga, esse "meu" amor, essa "minha" família... Todos eles só existem em um lugar, existem somente no MEU coração. Pegar uma decepção que alguém possa me causar e cobrir com ela toda a nossa história é o pior que eu poderia fazer. Eu jamais deletaria alguém da minha história pois isso seria matar parte de mim. Por esse motivo, carrego em meu coração todos que de alguma forma representam, seja em anos ou minutos, um marco na minha linha do tempo.

O melhor disso tudo é quando, dessa forma, sabendo que as pessoas existem dentro de nós, sabendo que o amor que sinto não foi dado de fora para dentro, mas descoberto de dentro para fora, percebemos que quando as pessoas partem, viajam, deixam de compartilhar de nossa história diária... Eu não deixo de receber esse amor, essa alegria, ou o sentimento que for. O comprimido é meu. O sentimento existe dentro de mim. E as pessoas, mesmo que me causando isso ou aquilo agora, são “minhas” na representação que eu quiser guardá-las e me ajudarão a encontrar em mim os sentimentos que eu quiser encontrar. 

Embora não fosse a ideia, ao escrever esse texto lembrei de um episódio de uma série que eu gostava muito, onde o próprio cupido tentava convencer uma das personagens a se permitir a entrega ao amor. Lembre-se, entretanto, que qualquer outro sentimento cabe aqui. Amor é só o exemplo. Mas acho uma passagem muito bonita e quero compartilhar também:

"Olhe, Phoebe, o que eu sou é a perspectiva do amor verdadeiro, só isso. Porque uma vez que você tenha deixado o amor entrar, ele jamais irá embora. Não confunda a mensagem com o mensageiro, Phoebe. É o que você tem feito o tempo todo. Veja bem, mensageiros cometem erros: eles se perdem, eles fogem, eles até mesmo morrem. Mas a mensagem, abra seu coração, ela vem da própria vida. Ouça-a. Faça isso por mim, e por você." - Heartbreak City

Acho que era isso que eu queria colocar para fora... É por isso que eu vivo. Eu vivo para descobrir dentro de mim, o melhor em mim. Eu vivo para que eu possa, de alguma forma, permitir que os outros me ajudem a encontrar o que está perdido em mim. E ficarei feliz se, no caminho, alguém através de mim encontrar o pouquinho que seja, dentro de si... Mais feliz ainda, se essa perceber que o que encontrou, encontrou dentro de si, não em mim, e é parte do que é, não do que sou.

Excelente junho para nós... Que possamos escrever belas histórias.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Que a Marca do Peso no Ovo nos permita virar Borboleta

Eita finzinho de semana mais que conturbado emocionalmente. Confuso como o nome do texto. Notícias de forma inesperada, lembranças gritando a mil vozes, conversas profundas, questionamentos internos, histórias incríveis e músicas simplesmente perfeitas. E com uma delas, vamos tentar, em meio à loucura de tanto que quero escrever, organizar os pensamentos e sentimentos que quero compartilhar. No final do texto vocês encontrarão o link da música. Ouçam, é encantadora e vale ganhar esses minutinhos.

O nome da música, em português, seria “A história de um homem”. Mas creio que essa seja a história dos homens. É incrível como a música diz tanto sobre o que costumamos fazer. Passamos tanto tempo tentando, procurando, falando, julgando, se preocupando, se inquietando e tantos outros verbos do tipo e deixamos de fazer o que realmente importa. Buscamos sentido na vida, sem nos deixar viver. Sem nos deixar marcar... Inclusive, marca é algo que todo mundo tem. E seguimos nos impedindo de tantas coisas por não querer novas marcas. Acho que deveríamos nos preocupar menos com elas, afinal, elas acontecerão, queiramos ou não. Uma simples mensagem, um simples olhar, um copinho... Tudo pode virar marcas e elas não são ruins. Mas tendemos a rejeitá-las.

Por um lado, nossas próprias marcas tendem a nos lembrar do que passou, e temos a crença de que essas servem como lição do que não devemos mais fazer. Grande erro. Elas são um guia para que façamos novamente, quantas vezes forem necessárias, ajustando a cada nova vez. Obstáculo não deve ser fator limitador, deve ser um alerta para se caminhar diferente.

Por outro lado, acabamos outras vezes vivendo entre ovos. Sempre andando com medo de pisar em algum deles. Temos medo de sermos quem somos, ou não nos entregamos às experiências, para que não carreguemos a responsabilidade de marcar o outro. Seja positiva ou negativamente. Impedimos-nos de deixar fluir. Acreditamos que a boa convivência se dá na prevenção de atritos quando, na verdade, é exatamente na diferença, nos contrapontos e no respeito apesar de tudo, que acabaremos realmente aumentando nossa aproximação com o outro. Conviver bem é ser diferente. É, por vezes, quebrar um ou outro ovo, mas juntos conseguir limpar e reorganizar os outros.

Só um adendo a quem ler esse texto, lembrem-se que histórias não são mais fúteis ou mais importantes que outras de acordo com sua visão. Pesos são diferentes, pois pessoas são diferentes. Os pesos, sejam abstratos ou físicos, pesam diferentemente. Afinal, eu posso facilmente levantar 15 kilos me achando um herói, enquanto outro será um herói levantando 5kg e outro levanta 30kgs com a ponta dos dedos. Independente de quanto cada um pode carregar (não importa o número que a sociedade impõe ou quem carrega mais ou menos) o importante é se superar. O herói está dentro de você e só você sabe quanto pesa sua história.

Acho que deveríamos nos permitir mais. Essa é a verdade. E isso serve pra mim também (como tudo que escrevo, rs). A última linha de cada verso da música nos dá um guia maravilhoso de como poder aproveitar um pouco mais a vida. Acho que devemos transformar nossa forma de pensar. Nossa forma de ver o mundo. Nossa forma de viver. Precisamos aprender a perceber melhor o outro, mas viver melhor as nossas vontades. Esquecemo-nos que por mais que queiramos cuidar, só será cuidado quem estiver disposto à. E sendo assim, vale muito mais a pena cuidar de nós e, dessa forma, estaremos mais fortes para cuidar do outro. Somos nosso bem mais precioso... Mas vivemos “Tentando descobrir porque você nunca pode descobrir”, “Procurando o amor que vai estar à procura de seu amor”, “Preocupado com o que há a dizer sobre suas pequenas besteiras” e por ai vai.

Está na hora de abandonarmos a forma de lagartas! Limitadas a um pequeno percurso, vendo em nós um ser fraco, ou imperfeito, ou incompleto, ou menos belo. Está na hora de abandonarmos nossos casulos! Casulos que nos impedem de ver a luz, de sentir o vento, de abandonar o que nos prende... O que um dia foi nossa realidade, mas não mais. Está na hora de virarmos borboletas! E como essas, abrirmos nossas próprias asas, voarmos por campos mais livres, apresentarmos nossa beleza... Interagirmos com um mundo mais amplo. Está na hora de deixar a música seguir...

“[...]
Passe mais tempo vivendo
[...]
Passe mais tempo amando
[...]
Passe mais tempo ouvindo
[...]
Passe mais tempo respeitando
[...]
Passe mais tempo fluindo”



quinta-feira, 20 de março de 2014

Ninguém PRECISA nada!

Oi povo... Que saudade de estar por aqui. Mas acontece. Por vezes nossa mente não está limpa o suficiente para organizar ideias, a nossa musa inspiradora foge por entre os dedos, pensamentos, fica perdida entre os sentimentos. Se lidar com pessoas é complexo, quem dirá lidar com nós mesmos, não é verdade?!

Ano novo, vida nova... Aqui estou eu de volta e isso é o que importa. Com novos desafios profissionais, uma pós em andamento, e refletindo sobre a vida sempre!

Nesse comecinho de ano, quase um terço do ano já se foi gente (:o), eu já tive que refletir sobre duas questões que eu pensava de modo diferente. 1ª... Identidade não é essência! Mano, como assim? Como uma professora me joga essa afirmação na cara na primeira aula da pós?! Mas nós ainda não conversaremos sobre esse tópico... Preciso ainda de mais dados. Vamos conversar sobre o segundo, mais recente... da terapia de ontem, para ser mais exato.

Estava eu contando para minha terapeuta linda sobre uma situação. Num dos meus momentos de afobação eu acabei soltando a seguinte frase: “Ele PRECISA fazer...”! Lógico que eu não notei isso. Ela que então me questionou: “O que você acabou de dizer”? [Rafis naquele momento tentando rebobinar a fita...] Resumindo, começamos a discussão sobre esse PRECISAR.

A verdade é que nós só conseguimos julgar o mundo de acordo com uma realidade: a nossa! A nossa cabeça é nosso universo e todo o resto são só experimentações. Por essa razão, acabamos esperando que as experiências dos outros sejam como as nossas e, secreta ou abertamente, desejamos que eles respondam ao mundo como nossa mente faria. "Se eu faço isso, todos PRECISAM fazer o mesmo". Meu eu mimado interior pensa dessa forma simples! Queremos cobrar que o outro aja como se fossem nós. Mas eles não o são. O nosso tempo é diferente do tempo do outro. Assim como são as verdades, as necessidades e as prioridades. Nunca achei que o mundo precisava se adaptar a mim. Quem me conhece sabe isso. Mas, até aquele momento, era obvio para mim que devia existir um balanço das verdades. "Eu me adapto tanto, por qual motivo você não pode de vez em quando retribuir isso"? Só que isso não é verdade... Primeiro, o outro não pediu nada, se eu faço é por querer, portanto não posso cobrar. Segundo, que essa "obrigação" existe só na minha cabeça. Refletir sobre aquilo foi uma quebra muito pesada. 

Bom, é claro que conforme os laços vão se estreitando, as pessoas começam a abrir concessões e equilibrar suas vontades, hábitos... seu modus operandi. É natural. Quanto mais forte o relacionamento, a empatia e etc... mais isso vai acontecer. Mas nunca é obrigação. Simplesmente acontece, não deve ser cobrado. E, por vezes, mesmo existindo uma grande vontade ou empatia, a concessão não será dada. Não irão se adaptar a nossa realidade, simplesmente por funcionarmos de modo diferente. E isso não significa que gostam menos de nós... Só estamos lidando com outra realidade de mundo que carrega suas próprias marcas.

No caso contado, eu fiquei com essa frustração gigante pois ela não era referente única e exclusivamente ao fato... ela estava ligada e conectada à diversos casos passados. Papai sempre presente. Por esse motivo eu senti o que senti, falei o que falei (desculpa novamente amigo, se estiver lendo o texto) e me perdi nesses pensamentos. Infelizmente (ou felizmente), ninguém sabe quais são as tatuagens que carrego no peito. Da mesma forma, eu não sei as tatuagens que o outro trás. Por isso, muitas vezes essas situações acontecem.

Para fechar, ela me lembrava várias vezes: “Qual o pronome que está em jogo”? Minha resposta era rápida, eu sabia: EU. Creio que por esse motivo o autoconhecimento é uma das ferramentas mais poderosas que temos. Se nos conhecemos o suficiente para saber quando estamos ampliando a importância do nosso mapa de mundo e se tivermos a disponibilidade de buscar compreender que existem outros mapas que não foram desenhados da mesma forma que o nosso... Ai sim, poderemos melhorar nossas relações. Tanto para que elas sejam leves, como para que reduzamos as cutucadas nas tatuagens alheias (ou que cutuquem a nossa). 

Bom, esse é mais um renascimento do Dragão... e espero aparecer aqui mais vezes. Beijão, até mais!