terça-feira, 28 de junho de 2011

Termômetro versus Temperatura

O título desse texto faz referência à citação de um livro que li do professor Píer. Essa citação dizia que “O termômetro se tornou mais importante que a temperatura”. Em seu livro, essa frase estava contextualizada na educação, onde nota se tornou mais importante que aprender; certificado mais importante que conhecimento. Porém, acredito que essa afirmação é realidade em muitas outras áreas.

Em empresas, por exemplo, é fácil ver falsos líderes que simplesmente buscam números e, ao buscarem números, subtraem a importância da qualidade no serviço. Com isso, esquecem, inclusive, da própria qualidade de vida e dos que trabalham POR eles.

Não me entendam mal, acredito na importância das metas, mas não concordo na crença de que números devam reger empresas e em avaliações que não consideram o valor qualitativo de pessoas e dos próprios números. É necessário atentar-se para a temperatura das instituições, termômetros podem quebrar e números podem ser forjados.

Por isso, fico feliz quando percebo que algumas pessoas já estão acordando para alguns fatores que fazem a diferença. Uma mudança significativa de valores não ocorrerá logo, mas o “start” já foi iniciado. Alguns seres humanos especiais já mudaram o foco e iniciaram um movimento silencioso que busca o desenvolvimento e qualidade de vida. É só notar o crescimento de espaços de terapias holísticas e a constante afirmação da importância do foco no outro que alguns estudiosos defendem. Esses fatores não podem ser medidos, são pontos que devem ser sentidos.

É por essa e muitas razões que eu digo que não quero ver quantos graus está aqui dentro ou lá fora. Afinal quantos graus para você é frio? Quanto é necessário para fazer calor? Não sabemos! A temperatura é relativa a quem sente. Por isso, eu quero sentir a temperatura, ver o sol ou a neblina, ouvir o vento passando por mim. Não permitirei que números sejam mais importantes que pessoas e nomes mais importantes que Essências. Não deixarei que meu tempo se resuma em horas e, por fim, não tolerarei que ninguém me faça crer que quantidade é mais importante que qualidade.

            Que tal sentir um pouco o mundo e deixar de vê-lo por fotos?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ir Além...

Conta uma velha história, que um jovem estava um dia caminhando por entre as árvores de uma bela floresta. Essa floresta guardava em si todos os segredos do mundo e esse jovem havia iniciado esse percurso com apenas um desejo: tornar-se o mais sábio entre os sábios, ao conhecer todos os segredos do mundo. Como dádiva àqueles que ali entravam o dom da imortalidade lhes era dado. E assim ocorreu com ele. Porém, esse dom só duraria enquanto ele lembra-se da existência de um bem maior. E acontecia mais ou menos assim:

Todos os dias, conforme ele se andava, ele podia ver e ouvir os sons da floresta. Ao cair da noite, ele se deitava em um lugar qualquer e entre sonhos e pesadelos adquiria CONHECIMENTO. E quanto mais ele sentia que conhecia e aprendia os segredos do mundo, mais além ele desejava ir. Um dia, porém, algo diferente aconteceu e um ancião de cabelos bem grisalhos passou por ele e fez uma ou duas perguntas sobre uma das ciências do mundo e o jovem acertou. E então o homem perguntou, “você quer ouvir uma história”? Mas, “não tinha tempo a perder com histórias de um velho” pensou e ignorou o velho para poder adquirir mais conhecimento. E isso se repetiu um, dois, três, vários dias. A cada pergunta que acertava, pensava: “chegará o dia que não haverá homem mais sábio que eu. Talvez, nem deuses”!

Mas algo mudava com o tempo naquela floresta, o jovem começou a perceber buracos no seu caminho. Então, quando cruzou com o velho uma próxima vez, antes que o fizesse qualquer pergunta, o jovem o interrompeu e disse: “senhor, sabe me dizer o que está gerando esses buracos”? E a resposta do ancião foi: “você quer ouvir uma história”? E conjurando-o como um velho gagá, seguiu seu caminho. E desse dia em diante o “velho gagá” não mais apareceu.

Porém, dia após dia, os buracos aumentavam de tamanho, número e profundidade. Mas algo também mudava a cada acordar e, por não haver espelhos, ele não percebia. Seu corpo começava a envelhecer. Mas ele começava a perceber o cansaço, a visão embaçada e as dores até o dia que, ao sentir dificuldades de respirar, num ato de desespero, pôs as mãos em seu pescoço e sentiu sua pele flácida. E olhando para suas mãos viu sua pele enrugada.

Então, olhou para frente e, no lugar da estrada que estava caminhando, viu um imenso um lago. E ao ver aquela água toda, percebeu que tinha sede e correu em direção ao lago. Ao se aproximar, levou o susto: viu no reflexo das águas, o velho que há tanto tempo não cruzava mais seu caminho.

“O que isso significa”? Perguntou-se o jovem, agora velho. E ao fechar os olhos, deixando uma lágrima cair no lago, ouviu no som do encontro da água doce da chuva com a gota salgada de seu corpo, a voz do ancião em sua cabeça dizendo:

Desde o dia que entramos para buscar conhecimento, você se esqueceu que além das ciências, você precisava aprender o que estava além. Tentei te mostrar que o caminho do conhecimento muitas vezes está em ouvir, mas você só queria mostrar o que sabia e deixava de aprender com o outro. Não se deve desejar estar acima dos outros, muito menos acima dos deuses,o mais importante é ser HUMANO e buscar fazer parte na busca pela EVOLUÇÃO. A cada passo que dava em busca da ciência e para longe da alma, seu mundo ruía e seu corpo junto. Pois o mundo que vê aqui fora é um reflexo do que existe ai dentro. A história que eu ia te contar simplesmente dizia: conheça-te a ti mesmo e encontrarás sua autotranscendência, e nesse momento enxergarás melhor o outro, o seu mundo e poderá, dessa forma, realmente ir ALÉM.

Nesse momento o silêncio se fez e ao abrir os olhos se deparou com um límpido lago e o reflexo de um jovem. Ao tomar o caminho contrário, lançou em cada buraco uma semente e começou a mudar seu mundo, sua mente e buscar a sua VERDADE e o seu CAMINHO.

Texto em homenagem à todos Os Peregrinos!!!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

HOMO...SAPIENS

Nos últimos tempos, uma questão esteve em alta no meio de nosso conturbado mundo: Homossexualidade. Frente às tentativas de novas leis, aprovação de casamento de casais homo afetivos e inclusão do tema em livros didáticos, protestos levam pessoas a dividirem opiniões diversas.  Algumas pessoas são contra, outras defendem e algumas não estão nem ai... é indiferente!

Pois bem, acredito que a melhor opção é a da indiferença. Não deveria existir nenhum tipo de lei, ou campanha, ou direito. Pessoas deveriam ser pessoas e ponto final! Mas, a triste verdade é que todos se acham no direito de julgar e colocar no outro as impressões de si e seus próprios valores. É ai que está a necessidade de leis, campanhas e etc... Pessoas preferem criar tabus ao invés de compartilhar amor pelo próximo.

É triste saber que as pessoas acreditam que uma lei que defende os direitos de homossexuais é um crime contra a família. Eu também faço parte de uma família. É decepcionante - não só nesse caso, mas muitos outros - perceber que alguns ditos religiosos preferem a exclusão de um grupo a assumirem fiéis apesar das diferenças. Afinal, na própria Bíblia está escrito que não cabe ao homem julgar, mas sim a Deus. Quem te deu o direito de se considerar Deus? Ninguém! Esse direito não existe. Portanto, sente-se no seu lugar e espere o SEU julgamento.

E mais uma vez digo: se nós lembrássemos realmente da importância e significado do “amor”, nada disso seria necessário. Não precisaríamos de leis de inclusão para deficientes, cotas para negros, leis de defesa às mulheres, direito do consumidor, da criança e adolescente, dos idosos, de SER HUMANO! Se soubéssemos realmente o valor de Deus e o significado de amor, não precisaríamos de nada disso.

Está na hora de deixar de lado diferenças e simplesmente viver a melhor vida possível. A batalha por tanta inclusão, no fim, só representa isso: a vontade individual de ser feliz, ao seu modo. Todos nós - independentemente de raça, crença, preferências e etc - só queremos viver com qualidade e sem medo. Você também quer isso. Portanto, respeite a lei divina e não veja diferenças, encontre as similaridades:


SEJAMOS TODOS HOMO... SAPIENS, E SÓ!