terça-feira, 13 de março de 2012

Tempestade do Sentir

E num simples momento deixamos de conseguir definir o que se passa fora, ou dentro... perdemos a noção do tempo, espaço, de nós. 
É uma agonia de pensamento, que não nos permite parar, respirar, sentir... embora, sintamos durante todo o momento. 
Os sentimentos nos parecem confusos, puxando uns aos outros, se entrelaçando, não nos permitindo perceber onde começa um ou acaba o outro. 
O medo parece se sobressair, ou seria o desespero, ou então o cansaço, quem sabe o desânimo, a raiva, a força, o medo... 
Quando chega à esse ponto nos vem a ideia de desistir. 
Quem sabe continuar dormindo. 
Na cama. 
Sozinho. 
Fingindo que o mundo la fora não passa de um sonho do que acontece aqui dentro. 

No quarto. 
Na mente. 
No coração. 

Por vezes olhamos o corpo e vemos a alma ou n'alma sentimos que nosso corpo deságua. 
Dor, saudade, canção. 
É a dor de se sentir perdido quando nem andando está. 
É a saudade da calma de espírito que não para de falar, pensar, se extirpar. 
É canção que se canta chorando, clamando, pedindo alento quando se quer gritar sem parar, mas não se tem força pra colocar pra fora. 
A doce loucura que vem e vai dizendo o que se deve fazer enquanto nem se sabe o que é. 

Vem insana sanidade!
Mostra-me para que vem, pois sei que sua presença não é em vão. 
Quais são as portas que devo fechar? 
Quais são aquelas que devo abrir? 

Dúvida.

E então na beira do poço, cai e continua caindo até que vem o momento que nos define...
o momento no qual em meio as trevas cada vez mais profundas, sem saber se em mente, corpo e espírito uma luz que jamais se apagou volta a ser sentida... uma luz que embora não aqueça mais, percebemos que ela ainda existe. 
No fundo. 
Buscando o ar. 
Oxigênio que alimentará sua chama até que vire fogo, ardor, paixão...
Tempestade de Amor... 
Fera.
Dragão.

Realizamos que em meio a tempestade de anseios o ar nos faltava por jogarmos as cartas nas direções erradas. 
Todas. 
Nenhuma. 
Sem direção. 
Foco.
E ao entendermos isso, respiramos fundo. 
Erguemos a cabeça. 
Sentimos o que precisamos. 
Deixamos de lado o que não. 
Assumimos o que somos. 
Tomamos conta. 
Contamos até dez e voltamos...
Catando cada grão desperdiçado de energia e reagrupando na bomba nuclear de força e vontade que será necessária para virar a mesa. 

Segundo após segundo, passo a passo. 
Degraus. desejos, vontade. 
Troca, reversão. 
Ressignificamos, reelaboramos, renascemos. 

O que era raiva vira compreensão. 
O medo nos dá a coragem para recomeçarmos. 
O desespero se torna serenidade. 
A saudade vira saudação...
Aos novos tempos. 
Tempo de renovar. 
Tempo de sentir. 
Tempo de tempo novo. 

A tempestade que com a água parecia destruir passa a limpar, renovar, alimentar... 
O fogo que podia queimar, energiza e revitaliza. 
E temos um novo homem. 
Homem de carne. 
Complexo.
De alma.
Humano. 
Aprendiz e Sábio.
De coração.
Completo.
De AMOR.

Um comentário:

  1. Rafinha meu Anjo, mas uma vez encantada com tamanho o dom que Deus te deu. O dom de tocar as pessoas com palavras, o dom de descobrir e transcrever o que vai na nossa alma! Cada palavra que escreve, bate tão fundo em mim...por muitas vezes me sinto assim...perdida, num abismo, caindo e caindo...dúvidas, medos...mas é sempre bom saber que existe uma luz no fim do túnel, que há portas esperando para serem abertas! Obrigada amigo querido!!! Obrigada por compartilhar conosco esse dom tão maravilhoso! Amo você, um grande abraço, coração a coração e um beijo!

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