sexta-feira, 8 de junho de 2012

Herói entre Brumas

O que define heróis? Quais são os atos e buscas que um herói deve ter? Quais são os comportamentos que os heróis devem rejeitar?

Pelos últimos meses, eu estive lendo a série "As Brumas de Avalon". A verdade é que foi difícil levar até o fim. Por 3 livros e meio, eu xinguei e rejeitei a personagem Morgana pois, na minha imaginação, eu tinha criado uma personagem completamente diferente. Ao ler e perceber suas falhas e fraquezas, me revoltei  por ela não ser tudo o que eu imaginava. Porém, ao chegar nas últimas cento e poucas páginas, em especial as últimas 12 páginas, eu levei um chacoalhão.

O principal ponto que eu critiquei e detestei a personagem era por ela ser falha, por ela ser por vezes limitada em suas crenças e por ela, algumas vezes, fraquejar. Como poderia ela, sendo a heroína que eu acreditava que seria, ser tão cheia de defeitos e fraquezas? Como poderia ela se confundir e se perder em meio aos seus desejos e vontades? Como poderia ela questionar e se questionar? Como podia errar? E nessa eu me esqueci que antes dela ser heroína, ou não, ela era humana.

A verdade, é que dia após dia buscamos em meio ao nosso mundo, fantasioso ou real, heróis que possam nos inspirar e nos fortalecer frente aos desafios da vida. Porém, muitas vezes nos esquecemos que o herói não é, nem deve ser, um ser perfeito, sem falhas, que não erra, se perde ou se confunde. Precisamos lembrar que o herói de verdade é sempre aquele que demonstra e ama sua humanidade. Suas falhas e medos são parte de sua personalidade e, portanto, parte de sua individualização heróica. É através dessa humanidade que eles determinam que história escreverão e a diferença que farão no mundo.

Através dessa reflexão, pude dissipar parte das minhas brumas e ampliar minha compreensão. Pude, inclusive, rever minha própria busca em fazer a diferença na vida de outros "alguéns". Por mais confuso e complexo que por vezes possa parecer é exatamente quando aceitamos nossas falhas e dúvidas que conseguimos novamente enxergar e nos enxergar como seres humanos. E é nesse ponto que as mesmas falhas e dúvidas deixam de ser barreiras e passam a ser a ponte que, através da atitude correta, nos levará ao resultado final.

Morgana foi, na realidade, humana durante toda sua busca. Dentro de seus conhecimentos e recursos, ela pode viver todas as faces da Deusa e, para isso, precisou enfrentar todos os obstáculos e lutar, principalmente, com seus demônios interiores. Ganhou, perdeu, acertou, falhou... mas acima de tudo continuou. No final, não podemos definir se estava certa ou errada. Nem ela mesma conseguiria fazer. Mas sua evolução aconteceu até ao ponto de descobrir a deusa dentro de si e rever suas próprias crenças e reações frente ao mundo... mas isso fica para outro dia.

Hoje, tudo o que eu busco aceitar é que não sou um ser perfeito, nem um super herói... já tenho meus heróis do mundo real e os heróis de minha mente... quanto à mim, tudo o que quero ser é um ser humano e, com isso, fazer da minha vida uma super existência.

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