Lembro que na primeira aula de circo que eu fui, eu só
queria conhecer o lugar pelo qual meu amor estava sempre tão empolgado. Experimentei
uma aula, gostei e como precisava fazer alguma atividade, optei tentar. Mudei
meus horários e de tudo fiz para fazer qualquer “coisinha” lá, sem grandes expectativas.
No começo, com medo, sem jeito para atividades físicas,
optei por ir pelo que achava mais fácil. Peguei duas “bolinhas” e comecei a
jogar para cima. Mal sabia eu, que fazer malabares doía e era muito mais difícil
do que parecia. Cai bolinha, pega bolinha, joga bolinha, cai bolinha e assim ia.
Mas tudo que eu olhava ao meu redor, me encantava. Os saltos que pareciam impossíveis,
aquele tecido pendurado, as acrobacias... Só que eu não seria louco de fazer
aquilo. Era tudo lindo, porém, “eu num tenho força”, “num tenho coragem”, “eu
nunca vou fazer nada disso”... Eu pensava.
Até o dia em que eu percebi que eu tinha vontade e essa era
o combustível necessário para qualquer início. E então comecei a me permitir. Decidi
então experimentar um pouco do solo e eu, que nem cambalhota dava, comecei a
treinar rolamentos, dei meus saltos tortos, fui forçado na flexibilidade, senti
as dores e ainda tinha que pular e contar ao mesmo tempo... Só que eu
continuava encantado por tudo que acontecia lá em cima.
Então, um dia, eu pedi para aquela argentina “posso tentar?”
e ela abriu aquele sorriso e com todo seu sotaque disse “Claro!”. Peguei minha
vontade, coloquei a lonja e puxei toda a força que podia ter no momento. Fiz o
anjo e com ele senti toda a magia que aquilo trazia, me senti preenchido... A
partir daí, a vontade trouxe a coragem... E entre trapézio e tecido, subi,
fiquei pendurado, me queimei, gritei, concentrei, soltei, fiz as quedas, cai,
senti dores, alegrias, superação e, por mais cansado que me sentisse, eu me
sentia renovado.
Mas chegaram e nos disseram que o circo havia acabado... Sem
chão, a dor da notícia era pior que de qualquer alongamento. Porém, se aprendemos
algo no circo, é que não podemos desistir... O que é o fim, senão sempre um
novo começo? Ontem, pudemos perceber em cada apresentação, cada movimento, em cada
música, cada erro e acerto... a cada segundo percebíamos que o circo continuaria
e continuará. Seja na lembrança dos momentos passados, na foto tirada, no vídeo
gravado... Seja num novo projeto, numa nova aventura, num novo espaço.
O circo pode parar, mas isso não nos tira os amigos que
continuam conosco. Aliás, nenhuma lição foi maior do que as aprendidas com as
diferenças de cada um. Treinei a paciência, testei a resistência, redescobri
minha determinação, encontrei minha superação... Corri riscos, descobri
coragem, o valor do simples, do modesto, do enxergar, do ajudar... Da força que
dá professor que não desiste de você, do amigo que vibra junto, que ensina,
aprende... Compartilha.
Podem nos tirar a lona, os aparelhos, os instrumentos... Podem
desligar nossa música... Quebrar nossas estruturas... Mas quem pode tirar nosso
coração? Ninguém! E com ele seguimos erguendo novos pilares, cantando a música
que parou (crrrryyyyyyyyyy BABY), instrumentalizando nosso corpo, transformando
árvore em trapézio e cortina em tecido se for preciso... E a lona é nossa
amizade. A lona é nossa vontade, nosso desejo, nossa busca, coragem, nossa
determinação. Esse momento pode ser de incerteza, de medo, de luto... Mas quem
continuar a buscar, encontrará. E quem realmente se entregou já encontrou algo
que faz qualquer coisa valer a pena.
Até ontem eu pouco acreditava em mim, sabia que eu estava
melhor do que entrei... Era isso, fim. Mas depois de ouvir professores me
dizendo que eu não deveria desistir. Isso não tem dinheiro que pague. Ouvir, de
Elsa Wolf, o que eu ouvi... Não há tesouro que valha mais. Hoje me sinto mais
forte, apesar da dor, pois sei que meu corpo tem novas extensões... Obrigado aos
professores que não desistiram de mim... Obrigado amigos que compartilharam
desse breve começo comigo.
Espero encontrá-los em breve... Espero que possamos
emocionar nossos primeiros mestres ainda mais, em novos espetáculos, em novos
picadeiros.
Eu confio em vocês, vocês confiam em mim.
Merda procêis!!!
Alunos pessoas como vc...que fazem valer a pena ser professora...se vc ficou feliz...imagina eu...vc e uma continuação de mim,de minha insegurança,temores,medos,realizações,alegrias,
ResponderExcluirorgulho,aplausos e por tudo isso...muito obrigada
Elsa
Lindo Rafa! Lindo!
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