segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Metáfora da Luz

Era uma vez um estranho lugar chamado de Vila da Sombra. Nesse local, o sol nunca raiava e todo conhecimento se dava através da experiência. Não era possível enxergar um palmo a frente e todos precisavam andar com cautela e descobrir o que estava a sua volta.

Havia ali uma lenda que em algum lugar do mundo, alguns haviam descoberto o segredo da luz que revelaria o mundo ao redor. Ninguém sabia onde era, nem como chegava, nem se sabia como sair daquela Vila, além do medo de fazê-lo.

Porém um dia, alguns se juntaram e decidiram buscar tal luz. No início, todos se mantiveram juntos, mas, depois de saírem da Vila da Sombra, ficou impossível assim permanecer. E, assim, cada um foi para um lugar diferente, sem saber que cada um descobriria uma mágica, diferente.

Meses depois, na mesma vila, uma família estava andando em busca de alimento para alma, quando uma forte luz se formou, primeiro incomodando seus olhos e depois os maravilhando. E, através da luz, viram uma jovem mulher que acabaria, em determinado momento, se tornando a sacerdotisa da casa. E assim foi.

Mas com o tempo, outros retornaram da viagem com suas luzes e outros aprenderam a usar essa magia também. Porém, às vezes, alguns são dominados pelo conhecimento. A sacerdotisa, então, ao passear pela tribo toda iluminada, se assustava com a madeira “errada” ou o “jeito brusco” que alguns produziam a luz.

Entretanto, a sacerdotisa não percebia que a luz ia além do rito e, mesmo em meio à luz, ela não conseguia ver alguns seguidores se perdendo. Não via sua luz cada vez mais fraca. Sua visão se tornava turva. E assim foi até que tudo aos olhos da jovem senhora se apagou.

Ela produzia luz, mas isso não a fazia enxergar. O medo começou a dominar. O desespero a encontrou. Mas, no meio disso, ela encontrou aquilo que faltava, pois a energia suprema sabia que ela tinha muito a oferecer. Eles sabiam que ela havia apenas se perdido. Então, mandaram um velho sábio cruzar seu caminho:

“Minha jovem senhora, por qual motivo choras? Porque se desesperas?”

“Quem és? Não posso ver... e isso me desesperas. Sei produzo luz, mas ainda assim tudo que vejo és escuridão.”

“Mas fostes vós que escolhestes isso, minha querida...”

“Eu? Jamais! Quem em sua lucidez escolherias escuridão em meio à luz?”

“Vós, minha filha. Vós optastes por isso no momento que olhastes a luz de outras casas e só enxergastes o que acreditava ser ‘errado’. Vós escolhestes olhar a madeira e o rito ao invés da intenção e da luz”.

Ao falar isso, o senhor continuou seu caminho e deixou a jovem senhora chorando e pensando sobre o que havia feito e sobre o que podia aprender. Enquanto isso, uma forte chuva começou a cair e ela sentiu sua luz apagar por inteiro, pois já havia visto um dia o poder da água. Foi quando ouviu: “Filha, abra seus olhos”. E ao abri-los, a jovem sacerdotisa viu tudo que estava ao seu redor e além. Ela descobriu uma luz muito mais intensa que aquela que produzia, ela viu a luz produzida por Deus. Pois, agora, ela percebia a força por trás do rito. A força da intenção. A força Divina. E nesse momento, seu conhecimento se transformou em sabedoria, pois ela abandonou sua arrogância.

Nenhum comentário:

Postar um comentário