Esse fim de semana, eu fui levado a assistir o filme "O Palhaço" de Selton Melo. Utilizo "fui levado", pois estava completamente cego em relação ao filme sem, nem ao menos, ter assistido ao trailer. Mas posso dizer, que obtive um grande presente. Presente, pois o filme nos oferece reflexão após reflexão. Reflexões das mais simples até as mais complexas. Complexas como a essência, simples como sua profissão. Quer dizer, tudo depende da sua complexidade e sua simplicidade. E tudo isso com a leveza e a beleza que só um circo nos poderia trazer.
Terminei depressivo, é lógico... rsrs. Pois, tudo aquilo que toca na nossa realidade nos faz pensar e repensar sobre a nossa própria vida. Mas, não me entenda errado. Minha vida não é depressiva, ela é muito boa. Mas, sempre tem algo para buscar - graças a Deus. Se não tivesse, qual seria a graça? O único problema é que essa minha busca me persegue faz um tempo, afinal de contas, "O gato bebe leite. O rato come queijo. E eu toco meu trabalho..." Foi nessa que eu fui pego. E essa frase resume a busca daquele palhaço por IDENTIDADE.
E sem Identidade, ele se pergunta logo no início do filme, ao segurar sua certidão de nascimento, "para que lhe servia aquilo?" Para que nascer se você não tem identidade, se não sabe o que quer, se não consegue se reconhecer? E a necessidade da Identidade o persegue pelo filme. E o ventilador, é claro. O ventilador como símbolo do sonho inatingível, longínquo e externo. O símbolo do desejo que está lá fora, enquanto ele está preso. O símbolo de liberdade. Liberdade de uma prisão criada por ele. Um ele que, embora fizesse os outros rirem, se considerava sem graça. E se ele fazia "os outros rirem, quem vai me fazer rir?" E com essas indagações, ele vai atrás de seu sonho. Atrás de sua Identidade. Do seu ventilador. Da vida que, segundo sua crença, estava fora de seu controle. Em figuras externas. Objetos de desejo. Locais. Pessoas...
Porém, ao sair e buscar, ele prova, vê, escuta e, ao entrar em contato com o resto, se redescobre. E no meio de uma loja de ventiladores, ele percebe que aquilo não o preenchia. No meio do seu “reino encantado”, ele continuava sem graça. E retorna. Com o símbolo embaixo do braço, para o mundo ao qual ele pertencia. Por fim, "O gato bebe leite. O rato come queijo. E eu... eu sou palhaço!"
Afinal, onde está nossa felicidade senão em nós mesmos? Onde buscar nossa essência senão dentro de nosso coração? Podemos ter símbolos, objetos de desejos, objetivos a alcançar, mas jamais estaremos completos com aquilo que está fora de nós somente. É preciso correr atrás de seus sonhos, buscar seus objetivos e descobrir suas necessidades. Mas, ao mesmo tempo, é importante sempre lembrar que seu reino encantado é o mundo onde vive, seu templo é seu corpo, sua essência está em sua mente e sua felicidade dentro de você... o externo é seu bem, mas o interno é seu bem MAIOR.
Mais uma vez um ótimo texto! Cada linha que eu lia eu lembrava do filme e, realmente, essas indagações que às vezes nos recusamos a fazer são realmente as que nos definem, né? Parabéns!
ResponderExcluirOi Rafis,
ResponderExcluirMais do que nunca fiquei com vontade de ver o filme....
Bom, respondendo a sua pergunta: "O gato bebe leite, o rato come queijo e eu me alimento de amor..." da minha família e dos meus amigos que me querem bem.....
Ótimo texto!!! beijos querido!!!